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Cruz Sobre Berlim IV - Final e Epílogo



Vamos lá, eu ia postar isso só depois do livro ser lançado para não atrapalhar a cronologia. Massss, como muitos leram os posts do livro (que tiramos do ar), acho que é sacanagem segurar para sempre esse material. Acho que vou continuar algumas histórias enquanto a revisão não termina. Estava com saudades de postar e a escrita tá enferrujada, ainda assim, acho que ficou legal. Não está revisado pelo Lucas, então me apontem erros e trechos que acharem horríveis ou confusos ou... se amarem também. Enfim, finalmente, segue o final do Cruz Sobre Berlim. *ps: essa atualização do blogger deixou vários links do blog quebrados, colunas esquisitas etc etc. Mas já já teremos novidades em relação ao visual para consertar tudo isso.

Continuação de: Cruz Sobre Berlim - III 


As buzinas da rua despertaram-no da lembrança dos dentes enormes próximos ao seu rosto. Os contornos iluminados de Berlim formaram-se a sua frente, a vista do emaranhado de prédios altos era magnífica, mas... Como chegara até ali? A adrenalina o fizera acompanhar seu mentor sem pestanejar até que entraram no hall do hotel chinfrim e desde então ele não prestara atenção a mais nada. Não fazia ideia do que Vinícius falara para o recepcionista que ofereceu ajuda ao perceber seu rosto ensanguentado. Não se lembrava do caminho até o elevador, ou até o corredor … ou de quando tirou o sobretudo e abriu a janela. Pensava nos dentes, somente nos dentes. Seu peito ainda doía no local que a fera o atingiu, não precisava tirar a armadura para saber que sua pele já ganhara uma tonalidade roxeada. Tocou o metal arranhado e olhou para as próprias mãos. Tremiam. Escutou a voz de Vinícius:

- Você está bem?

Observou o mentor. As marcas profundas das unhas do vampiro dilaceraram boa parte de seu rosto quadrado. A garra acertou-o em diagonal, o ferimento começava logo abaixo do olho direito e seguia até o queixo protuberante, o rastro inchara em vermelho vivo. A bochecha esquerda foi a mais prejudicada e continuava sangrando, Vinícius pressionava um amontoado de curativos sobre ela e Alban não conseguia distinguir o que era gaze e o que era carne. Ele ajeitou aquela massa avermelhada e se afastou da porta do banheiro, aproximando-se repetindo a pergunta. O adolescente se irritou com aquilo. Como ousava perguntar se ele estava bem? Vinícius teria o rosto desfigurado para sempre e provavelmente aquele machucado inflamaria e corria o risco de piorar se eles não procurassem rapidamente um médico. A última coisa que ele deveria pensar agora era se um moleque inútil estava se cagando de medo em continuar naquela cidade tenebrosa. Queria gritar que era idiotice não procurar um hospital imediatamente, mas limitou-se a balbuciar:

- Sim...

- E a falta de ar? - os olhos castanhos fitaram o peitoral arranhado - Você está com dor no pei..

- Estou bem – interrompeu, ríspido. Voltou-se para a janela ocultando o rosto impaciente, seu desejo era discutir com o mentor e tentar convencê-lo a procurar um hospital antes de saírem da cidade. Eles vieram aqui para procurar Malahad, descobrir se estava viva, o planejado nunca foi confrontar diretamente os vampiros de Berlim. Perderam Eric na primeira semana de investigação e agora quase perderam Vinícius, tudo isso para quê? Sentiu um nó na garganta, não queria chorar, mas as lágrimas já embaçavam a visão dos arranhas céus da metrópole. Conhecia seu mentor, independente do que falasse, ele continuaria determinado a viajar nesse estado. Balbuciou com a voz embargada pelo choro se formando - Você precisa de um médico, como você vai dirigir desse jeito?

- Nós não temos tempo, depois do que você fez, eles... - o mentor respirou fundo. Talvez fosse a dor ou talvez a dificuldade em falar com os lábios cada vez mais inchados, agora era ele que escolhia cautelosamente o que deveria falar. - Alban, nós precisamos ir embora. Eu vou colocar um remédio para aguentar a viagem, não podemos ir em um hospital aqui. Não depois do que aconteceu. Então, se você está realmente bem, por favor pegue logo suas coisas.

“E o que aconteceu afinal?” o adolescente quis perguntar, mas contentou-se em emitir um resmungo e voltou-se para a mala que Vinícius jogara em sua cama. Não havia muito o que arrumar, trouxeram poucas peças, as limpas já estavam dentro da mala, bastava acrescentar o saco com a roupa suja. O grande problema de qualquer excursão era organizar todas as armas: era preciso ocultá-las perfeitamente, porém, sem dificultar o acesso a bainha caso algo acontecesse no caminho.

Alban tirou suas manoplas para pegar com mais agilidade cada arma e passou a encaixá-las nos compartimentos secretos de sua mala. Ao tocar o cabo de um dos estilletos de sua coleção, ele parou. O adolescente não sabia se era consequência do cansaço, mas não conseguia distinguir claramente os limites de seus dedos e aquela superfície metálica. Pequenos fios translúcidos contornavam sua mão formando uma estranha névoa sobre a pele. O tom ficava mais cintilante, elétrico, conforme ele atritava as pontas dos dedos naquela superfície. A coloração era usual nas armas templárias quando atacavam um inimigo, mas não assim, sem motivo algum, na pele de seu manipulador. Alban afastou o estilleto e percebeu que a névoa permanecia em suas mãos. Energizar uma arma, entoando palavras sagradas era o que ele sabia fazer, ensinaram-no a fazer isso. Mas emitir repentinamente … uma bola elétrica? Não, em 2 anos de treinos exaustivos, leituras e observações ninguém nunca lhe falou sobre isso. As palavras e o metal eram os condutores do poder sagrado, supostamente, nenhum corpo suportaria ampliar aquela energia ao ponto de produzir algum dano. Era certo que não lhe contaram todos os segredos Templários, contudo, se sentia um idiota por seu pai não tê-lo preparado para isso. Algo lhe dizia que sua hierarquia na organização, o segundo mais respeitado, tinha relação direta com o poder que Alban emitiu. Como nunca lhe contou essa habilidade?

Ouviu Vinícius ao seu lado, encaixando as lanças no grandioso case de couro. Eram as únicas que não poderiam ser ocultadas nas malas que trouxeram; sempre chamavam a atenção independente do que invólucro que escolhessem para transportá-las. Parecia totalmente concentrado na tarefa de fechar os lacres do tubo, sem perceber a anomalia que o pupilo fitava. Frustrado, Alban tocou o pulso do mentor expondo os dedos carregados de áurea elétrica. Murmurou:

- E o que aconteceu afinal, Vinícius? Por que precisamos sair assim? Ninguém nos seguiu...

O homem ferido observou brevemente a mão que o tocava, contudo, manteve a expressão indiferente e desviou o olhar tomando o estilleto que o garoto segurava:

- Termine sua mala, no caminho conversaremos sobre o que aconteceu, ok? - Vinícius disse com dificuldade, sua voz mais abafada pelo inchaço dos lábios.  Ele encaixou a arma em um dos compartimentos da bagagem e se voltou para o case com as lanças, colocando-o em suas costas.

  Alban respirou fundo, o mentor agora caminhava pelo quarto buscando algum possível objeto esquecido, mas ele não podia adiar a pergunta que não saía de sua mente:


- Aquela luz... aquela luz que repeliu os Labyrs... É isso o que meu pai faz?


Vinícius já estava na porta, a chave eletrônica em mãos, pronto para sair. Encarou-o, a expressão estava oculta pelo inchaço do ferimento, porém seu tom de voz era nitidamente impaciente com a insistência do garoto:

- É a sua próxima etapa. Mas para aprender, precisamos chegar vivos em casa, Alban - olhou para a mala entreaberta do pupilo e apontou - Vamos?

Alban estremeceu com o gesto. Voltou a arrumar o case, a ordem ríspida dissipara sua coragem em continuar os questionamentos. Ao ajeitar a última espada na mala, uma variação no brilho das lâmina o fez parar.  Ele não distinguiu muito bem o que era, mas o reflexo escuro fez sua pulsação acelerar. Buscou a origem do reflexo, mas nada no quarto era semelhante com aquela forma fluida. A voz de Vinícius interrompeu sua busca:

- Não abre - ouviu-o murmurar.

Alban estava prestes a procurar sua própria chave, confiante que o cartão do mentor havia desmagnetizado, quando notou uma nova variação no reflexo das espadas e sentiu o corpo sendo levado forçosamente ao chão. De joelhos sobre o carpete, ouviu os gemidos do mentor, ele mantivera-se na mesma posição que outrora, completamente paralisado se não fosse pelo tremor de seus membros. Não parecia haver nada tensionando seus músculos, contudo era nítido que algo agia sobre eu próprio corpo também. 

Sentiu um toque extremamente gélido em seu pescoço e então conseguiu visualizar o que envolvia seu tórax. Alban não distinguiu  a cor, mal distinguiu sua forma, a textura macilenta não refletia a luz como os demais materiais escuros do quarto. Parecia um líquido que variava do translúcido ao reflexo total do que encostava. Nunca vira nada como aquilo, mas seus anos de estudo possibilitaram que o identificasse, era o poderoso sangue de um Cruentus Umbra. A conclusão o fez buscar o vampiro pelo quarto freneticamente, os olhos observando cada canto que conseguia enquanto seu rosto era empurrado contra o chão. Um barulho agudo atingiu seus tímpanos e subitamente desapareceu. Uma voz masculina ecoou no lugar:

- Sempre vou admirar como vocês podem aguentar tamanha pressão. -  Não havia  mais tráfego ou gemidos. Somente as palavras em português lhe eram audíveis agora. O imortal escolhera esse idioma por saber da saber da nacionalidade de seu mentor? - Quando eu era humano, jamais conseguiria suportar tanta dor sem ceder. O quanto mais você aguenta até se ajoelhar, Vinícius?

O crânio do mentor inclinou-se vagarosamente de maneira que o forçava a encarar o teto. Os tentáculos que o pressionavam ganhavam cor rubra  conforme apertavam e abriam os ferimentos de sua face. Talvez, entre os lábios feridos, Vinícius tentava falar as palavras sagradas que provocariam uma reação de sua armadura. Quais palavras? Nenhuma veio a mente de Alban, seus lábios ainda estavam livres do sangue vampírico, poderia ecoar seu próprio poder e colaborar com a soltura de ambos, contudo não conseguia se concentrar com o ar cada vez mais rarefeito. A força contra o tórax forçava seu diafragma e ele não conseguia mais inspirar. As lágrimas voltaram aos seus olhos, a dor o fazia pensar somente na proximidade da morte. Subitamente, a pressão sobre sua nuca passou e sentiu os fios puxando-o para que o rosto desgrudasse do chão.

Conforme seu corpo era erguido e colocado de pé, conseguiu distinguir uma criatura esguia entre ele e o mentor. Alban não sabia há quanto tempo estava naquele exato local, por mais que sua mente estava prestes a desmaiar, ele deveria ter notado alguém justamente do seu lado. Era como se o vampiro se materializara  por completo naquele segundo. Ele era magro, um pouco menor que Vinícius e aparentava não ter mais que 20 anos. Sua pele morena tinha um tom dourado muito diferente das outras criaturas pálidas que enfrentaram em Berlim. Os pequenos olhos destacavam-se entre os traços pontiagudos: não havia delimitação da íris, todo seu globo ocular estava tomado pelo mesmo líquido que controlava os dos templários.

As duas fendas ônix encaravam-no severamente:

- É isso? Lágrimas? Estou prestes a quebrar suas costelas e a única coisa que faz é chorar?  Matar a ralé insignificante por uma semana inteira foi o suficiente para exaurir suas energias?

O vampiro analisou a face de Alban vagarosamente. A pergunta fora desferida sem deboche, soara como uma curiosidade real e ele aguardou uma resposta do adolescente por alguns segundos antes de emitir um muxoxo impaciente:

- Pelo menos seu mentor ainda está de pé tentando provocar uma fagulha para reagir... - parte da armadura que cobria o tronco de Vinícius soltou-se e caiu no chão, os olhos do imortal estavam completamente esbranquiçados agora e o garoto julgou que seus lábios quase formavam um sorriu quando voltou-se para Vinícius - Eu poderia esperá-lo se ajoelhar, ou você parar de chorar e soltar sua própria "bolinha" mágica, mas pelo visto o ápice do show vocês deixaram para os Labyrs, certo? - o imortal estava muito próximo do outro templário agora, sem tocá-lo, girou seu corpo para que ficasse de frente para ele. Postou uma das mãos sobre o peito do humano – Décadas de tédio sem uma geração templária aparecer e agora você me trouxe uma versão mirim dos 13 para desfrutar... Obrigado.

O adolescente não ouviu som algum quando as unhas do Cruentus romperam a carne do mentor. Ele quis fechar as pálpebras para não continuar a assistir o que aconteceria, mas não conseguiu movê-las. Bastou um movimento para o imortal retirar o coração entre as costelas quebradas do peitoral ensanguentado. Seus olhos, negros novamente, encararam Alban e o jovem teve certeza que viu um sorriso antes dos dentes abocanharem o órgão que pulsava em suas mãos. 


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Se ele fosse humano agora, imitaria um cinéfilo ansioso e comeria um balde de pipoca enquanto assistia o espetáculo que acontecia no cômodo a sua frente. Balder odiava política, mas era sempre divertido observar como seu General conseguia exatamente o que queria independente de quem o estava desafiando. Fahad era um exímio matador e por isso foi escolhido como o protetor de Berlim, porém não foi sua força bruta que o manteve no poder por mais de um século. Sua dialética conquistava os poderosos imortais não com promessas vazias ou ameaças maquiadas, era sua inteligência e sinceridade que seduziam quando propunha uma estratégia. O Cruentus não estava interessado em algum tipo de reconhecimento maior no mundo vampírico, o que queria estava disponível em seu próprio território: guerra e sangue.

Balder abraçou os joelhos e inclinou-se para tentar escutar melhor o diálogo entre os dois vampiros que controlavam a cidade. Fahad o telefonara mais cedo pedindo-lhe para que o encontrasse lá o que sempre significava não bater na porta. Algum dia perguntaria a Jack o que Uriel realmente achava sobre isso, nenhum vampiro aprecia um visitante aparecendo subitamente em sua sala, mas nunca vira algum reclamar quando Fahad o fazia. Porém, Uriel seria um dos poucos que poderiam reclamar. O ruivo estava sentado no chão de mármore da suntuosa sacada do apartamento do Pacificador, aguardando para o momento que o chamassem. Observou Uriel, seu semblante sereno permanecia o mesmo, mas estava mais introvertido que o normal. Ouvia atentamente Fahad, cujos braços abertos repousavam no encosto do sofá gesticulando com seus dedos finos algum plano mirabolante. Ou, talvez, contava dos seus feitos do dia anterior. O ruivo via apenas suas costas, mas sabia que o Cruentus estava sorrindo, ele possivelmente não desmanchara o sorriso do rosto desde ontem.

Quando encontrou-o poucas horas antes do Sol nascer e viu sua expressão satisfeita, soube que havia dado um fim nos templários. Foi uma surpresa quando ele pediu segurança reforçada em sua morada e avisou-o que manteria o garoto como seu prisioneiro. Balder     queria entender seu plano, queria ouvir o que contava para Uriel, mas os dois se sentaram no outro extremo da grandiosa sala e nenhum som parecia escapar do palacete de vidro do Pacificador. Entre o cheiro da poluição da cidade e o suor dos corpos humanos, o Labyrs sentiu um aroma familiar e notou o reflexo esguio de Jaqueline. Ela aproximou-se e parou ao seu lado.  Eles pareciam dois patéticos cães aguardando a permissão do dono para passear. Mas poderia ser pior, talvez jogassem-lhe uma maldição que não lhe permitisse se transformar em sua verdadeira natureza. Isso sim, seria péssimo. Ele não a cumprimentou, nem ao menos se virou quando ela começou a falar:

- Estão mortos então? Fahad veio pegar a outra?

- O pirralho está vivo. - o ruivo murmurou encostando o queixo nos joelhos cruzados. - Creio que deixará a mulher com Uriel mesmo.

- Oh... um futuro “13” como isca na cidade! Quanto tempo até um pai enlouquecido aparecer por aqui?! 1 semana? 1 mês? Quanto você quer apostar?

Ele girou os olhos irritado com a costumeira proposta fútil. Observou-a pelo reflexo para começar a repreendê-la, contudo não o fez quando notou o penteado que expunha seu crânio magro. Virou o rosto encarando-a. Suas mexas estavam trançadas em pequenas tiras e amarradas em um rabo de cavalo, usava um sobretudo cor petróleo (e nada por baixo, ele sabia). Era seu visual favorito para se transformar rapidamente, o que seria compreensível considerando a semana que ela enfrentara, mas a mochila em suas costas sinalizava que seu próximo desafio não seria na cidade. Antes que ele fizesse qualquer pergunta, ela retribuiu o olhar, fitando-o intensamente:


- Mikhail está morto.

As palavras o fizeram largar os joelhos. Sem disfarçar sua surpresa, balbuciou:

- Alguém o desafio pelo posto? Quem assumiu Moscou?

- Ninguém. - ela deu uma piscadela - Abandonaram os súditos e seus ridículos adoradores em meio ao fogo. Toda aquela arquitetura podre foi tomada por um incêndio. Ah, pare de fazer essa cara de surpresa e deixe a alegria te contagiar um pouquinho, sim?

Alegria? Não, não era bem alegria o que ele sentia. Mikhail explorou-o por décadas, fazendo-o odiar sua própria imortalidade cada ano que passara com ele. O odiava, mas odiava mais ainda a frustração por nunca terem conseguido se aproximar de sua morada no Indulto de Sangue. Trocaria todos aqueles Vox mortos pela cabeça dele. Cumprir uma sentença secular por um objetivo que nunca alcançou o frustara nesses últimos 50 anos, mas agora, nesse momento, até a frustração lhe pareceu insignificante. Sentia apenas alívio.

Relembrar o seu principal inimigo o fez lembrar da vampira do Indulto que avistou na cidade há poucas semanas. Ela não seria burra de se expôr assim, seria?

- Aonde você vai? - perguntou apontando para a mochila. Não interessava o que ela dissesse ou o sorriso largo que seus lábios formavam, havia algo na expressão de Jack que não estava tão satisfeita assim com o ocorrido. - Uriel vai a Moscou?

- Não, mas eu vou a Rússia cuidar de outras coisas. - disse, tão séria quanto seu carrasco na sala de vidro.

- Juramento de sangue é uma bela merda. - murmurou, sabendo que independente do que perguntasse agora, ela não conseguiria verbalizar o que seriam as tais “coisas”. Se Uriel ordenara algo, isso provavelmente incluía manter segredo sobre a tal ordem, mas o ruivo tinha certeza que envolvia Ekaterina, a Ingenium que há décadas os convidara a caçar os Vox. E Jack não estava nada feliz com isso.

Taciturno, Balder voltou-se para o apartamento buscando qualquer mudança na reação dos dois vampiros seculares. Como antes, continuavam a dialogar sentados em poltronas opostas: Uriel fitando atentamente o que o Cruentus falava gesticulando os braços. Notou que a única alteração no cômodo era a presença de alguém que não notara antes. Não muito distante, em pé, encostado no piano vertical, estava um loiro familiar. Suas mexas eram mais longas que as de Uriel e de cor mais escura.
Não parecia muito interessado na conversa, ora olhava as cifras em suas mãos, ora observava o diálogo com uma expressão distante.  Ele piscou  e Balder teve a impressão que seus olhos azuis fitaram a sacada por um breve segundo. E então, o ruivo o reconheceu, era Egor, mestre de Ekaterina. Duvidava que ele o reconhecia, mas ele se lembrava muito bem da primeira (e última vez) que o vira, seu olhar repleto de fúria o marcou. Assim como as ameaças que fez aos responsáveis pelo julgamento que condenou sua pupila a perder seu principal dom:

- Puta merda... - o ruivo murmurou, frustrado por não poder falar abertamente com sua mãe. Abraçou novamente os joelhos - O que você acha que vai explodir primeiro? Moscou, Berlim ou os Ingenium contra os pacificadores?

Jack deu uma piscadela e postou as mãos no quadril:

- Quer apostar?

3 comentários:

Anônimo disse...

AMEMMMMMMMMMMMMMMMM <3333333333333333333333
Adorei o capítulo final, Helu!!! E obrigada por ter atualizado o blog *u* #emossionei
Chateada que não li os posts do livros )': ta disponível em algum outro lugar (ou vocês podem ser lindos e me mandar de alguma forma)? hehe
bejosss ;*

Ana Paula Lima disse...

Já apostei!!! Muito bom como sempre. Tava com saudade de vcs e cada vez mais fico no aguardo do livro...VEEEEMMMM LOOGOOOOOOO!!!!!!!!

BEIJÃO.

Anônimo disse...

Elu vc é Lucas nao deviam desistir, vcs tem muito futuro.