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Máscaras


A forma simétrica e sinuosa do jarro era perfeitamente polida. Não havia resquício algum de ranhuras na superfície branca. As telas de alta definição arruinavam o charme de várias peças expostas no site, mas essa em particular ficara mais bela do que pessoalmente. Até a tampa - uma escultura de rosto bestial - tinha detalhes límpidos, o par de olhos compostos de pedra azul brilhava como se acabara de ser colado nos orifícios. Laura sabia que todos em frente aos seus computadores agora estavam com um olhar fascinado pela conservação sobrenatural. O artefato era irresistível, a mulher previra que seria vendida em poucos minutos e com uma bagatela mínima de um milhão. Já até tinha feito as dividas a serem pagas com a gorda comissão que ganharia. Virou o rosto para a outra tela, a que mostrava somente os nomes dos inscritos na sala virtual e o cronômetro expondo os segundos restantes para o leilão começar. Arqueou as sobrancelhas ao notar um nome familiar na lista:

- Tsc, ele vai ganhar de novo. – murmurou passando as mãos no coque loiro.

- Senhora? – questionou sua assistente, a agenda aberta em uma das mãos, caneta pronta para a próxima anotação na outra. Laura não respondeu, apenas movimentou a cabeça em negação, os olhos negros ainda fixos no nome. Permaneceu assim por mais alguns segundos até que percebeu a respiração ansiosa da jovem ao seu lado e se lembrou do motivo da garota estar ali perturbando seu raciocínio:

– Perdoe-me, querida, te interrompi. Pode continuar. - apontou para a agenda e seguiu até sua escrivaninha ouvindo o gaguejar da jovem ao seu encalço:

- Bem, não sei se a senhora se lembra, mas é hoje às 20h a reunião com o Senhor Wilkins. Vou deixar o café e água aqui antes de ir. Tem certeza que não quer que eu fique?

Laura negou com a cabeça e riu, não por estar agradecida pela iniciativa da assistente, mas por sua ingenuidade ao pensar nas necessidades do Senhor Wilkins. Café e água... Por vezes era cansativo trabalhar com uma pessoa que não sabia de toda a verdade da instituição, mas momentos assim a relaxavam, era divertido ver a garota tentar encaixar aquele cargo nos padrões normais. Sentada confortavelmente, deixou-a continuar a falar sobre recados e outras providências, fingiu interesse apoiando os cotovelos sobre a mesa em sua direção. Seus olhos observavam, impassíveis, as telas no outro extremo do escritório. Apesar da distância, Laura conseguia ver perfeitamente os números saltando, os lances apareciam em destaque e quando ela viu o valor seis vezes maior que o estipulado soube que terminara. Sim, Mathias Herbertsson ganhara novamente.

Ele não tinha nenhuma ligação com museus, universidades ou instituições de pesquisa. Não era uma celebridade excêntrica conhecida, mas pelo visto tinha muitos milhões para gastar com jarros cuja função fora a de guardar órgãos de múmias. Havia algo errado. Percebeu o silêncio no escritório, o penteado de Laura deixava todas suas rugas de expressão expostas e facilmente a garota percebeu a tensão em seu rosto. Encarou-a paciente e imaginou por alguns segundos qual seria a reação da menina se ela lhe explicasse: “Querida, desculpe por não prestar atenção no seu precioso trabalho, mas sabe esse senhor que está comprando os artefatos? Provavelmente ele está fazendo magia negra com eles, entende? E isso não é bom. Pode ser para os negócios, mas não para, hum... a humanidade. Portanto, preciso pensar agora, preciso decidir como e quando ele deve morrer”.

Desconcertada pela expressão divertida que a chefe agora fazia, a menina repetiu o que havia falado no último minuto. Laura a interrompeu, o sorriso debochado já sumira e agora seu rosto só esboçava impaciência:

- Desculpe, estava verificando o leilão e me perdi nos números – olhou de relance a tela, agora anunciando o ganhador (justamente o que previra), e continuou a falar com uma voz indiferente – Mas eu escutei da primeira vez, obrigada pelos recados. Você pode ir agora, boa noite.

Laura respirou aliviada ao vê-la se afastar. Aturara a garota por nove horas, não dava mais para agüentar aquela pró-atividade, não com a chance do ganhador do leilão ser mais uma das criaturas nojentas que cobiçavam seus artefatos. Postou os olhos escuros no nome, séria, a repulsa crescendo em seu peito. Pegou o telefone disposta a resolver isso agora, mas o movimento na porta chamou sua atenção: a assistente, ao invés de ter seguido o seu caminho e ido embora da sala, estava parada sobre o arco falando com alguém na recepção. Por que essa idiota não saiu ainda?

- Senhora Laura, o senhor Wilkins já chegou – a garota morena notou sua surpresa, ainda faltava meia hora para a reunião, e continuou em tom mais baixo – A Sra. pode atender agora?

Laura tentou disfarçar o quão inconveniente era aquela notícia, mas apenas conseguiu desmanchar as sobrancelhas arqueadas e pediu para que esperasse alguns minutos antes de deixá-lo entrar. Mesmo com a saída da assistente, permaneceu imóvel na cadeira por algum tempo, o rosto soturno observando a porta recém-fechada. Não era para ele chegar agora, nem o respeito pelo horário essas malditas criaturas tem? Poderia sim dizer que só o receberia às 20h, não é, por que fui falar que o aceitaria receber agora? Sentiu sua nuca umedecer com um suor frio, a repulsa anterior virara pavor.

Ignorou os pensamentos pessimistas e finalmente discou um número no telefone, objeto que segurou como se fosse uma arma nos últimos segundos. Após a sexta tentativa sem resposta, desistiu e ficou de pé. Faltava vinte minutos para as vinte horas, Deus estava do seu lado, se convenceu, daria tempo. Ligou para a recepção pedindo para que o Senhor Wilkins entrasse e foi até os telões do leilão encerrado. Leu novamente o nome do ganhador e sentiu sua confiança voltar. Não era atoa que tinha anos de experiência nesse cargo, era excelente no que fazia e não seria diferente nessa reunião, independente dos minutos contra a seu favor.

Quando a porta se abriu, Laura já estava calma o suficiente para dar um sorriso doce ao fitar a criatura masculina que adentrava a sala. O senhor aparentava ter uma idade aproximada a de Laura, 40 anos, tinha estatura mediana e o rosto de traços retos, sem nenhum atrativo particular, dificilmente seria notado nas ruas se não fosse os olhos. A cor de um belíssimo azul escuro era rara, mas não era exatamente isso que fascinava quem o fitasse, era o olhar intenso, dominador. Uma lembrança dos jarros pré-cristãos anormalmente conservados perpassou a mente de Laura e, então, ela estendeu a mão.

Ah, o misterioso Senhor Wilkins. Demorou até um relatório comprovar o que a mulher desconfiava quando lia aquele nome como o ganhador do leilão de máscaras da era vitoriana. Um especialista afirmara que elas eram pertencentes a uma das criaturas demoníacas capturadas pela instituição há centenas de anos. Sua afirmação não era baseada apenas nos detalhes similares dos objetos, mas pelo material em comum: sangue, pele e cabelos humanos. Isca perfeita. Laura deixou os leilões das máscaras continuarem até que, em sua nona compra, um relatório completo chegou a sua mesa. Confirmado: Robert Wilkins era inegavelmente um vampiro e não um simplório. O maldito cliente pertencia à antiga linhagem... Agora, pela primeira vez, Laura apertava a mão de um Vox Régius:

- É um prazer recebê-lo, Senhor Wilkins! - sua voz soou calma, como sempre em ocasiões como essa, mesmo que o toque gélido a enojasse profundamente; escutou a resposta padrão dele e se livrou da mão fria. Apontou para uma das três poltronas da mesa circular – Por favor, fique à vontade.

Ele esperou que Laura sentasse antes de escolher seu lugar, bem ao seu lado, e negou a oferta da assistente. Sim, claro que ela tinha que oferecer café, água e chá:

- Querida, muito obrigada, você pode ir agora. - Laura a dispensou e somente após sua saída do cômodo voltou-se para o cliente, cujos olhos não pararam de encará-la por segundo algum – Confesso, Senhor Wilkins, que fiquei surpresa quando seu advogado entrou em contato novamente. Achei que o certificado técnico seria o suficiente para sanar suas dúvidas.

- Você é direta. - ele sorriu sem mostrar os dentes e relaxou o corpo no encosto da poltrona – Esperava que até me oferecessem uma massagem em um Spa antes de começar a falar nesse assunto.

- Não é por isso que está aqui? - a loira retrucou mantendo a coluna mais ereta do que o normal, firme para não ceder ao peso que aqueles olhos pareciam impor.

- Oh, sim! Mas veja, eu dei muito dinheiro a vocês ao longo desse ano e provavelmente darei mais caso tenham outras máscaras do tipo. - seu tom de voz, assim como seu rosto, era indiferente, como se estivesse lendo polidamente uma publicação - Porém, se o que eu questionei vier a público, a reputação da empresa poderá ser arruinada, então...

- Mais um motivo para irmos direto ao assunto, não, senhor Wilkins?

- … como eu dizia, eu gostei de sua postura, e isso é raro. - ele esboçou um leve sorriso e liberou-a do olhar. Observou as próprias abotoaduras douradas por um tempo, passando os dedos nos detalhes em relevo enquanto continuava a falar – É bom mesmo que saiba que bajulação alguma me impedirá de processá-los caso não me mostrem todos os registros dessas máscaras. Fotos de quando as encontraram, local, relatório do estado de conservação. Tudo.

- A avaliação técnica...

- Já li a avaliação técnica e ela está errada, senhorita Ortez.- O vampiro a interrompeu encarando-a, sua voz soava agora tão dura quanto seu olhar - A máscara foi modificada. Ela tem material não original.

A mulher observou de relance a cortina balançando, o vento noturno refrescava o escritório espalhando um cheiro de mata molhada, porém Laura sentia que não havia mais nada reconfortante naquele lugar. Ansiava por olhar o relógio no pulso, mas se segurou e continuou a encarar a criatura vil:

- Senhor Wilkins, como já disse para seu advogado, nós não alteramos as composições de nossos artefatos. Nunca fizemos restaurações, apenas limpamos as peças. Por que seria diferente com essas máscaras? O senhor comprou várias de nós, não temos motivo algum para alterar apenas uma, especialmente um pequeno detalhe como esse! - mentiu, surpresa em como conseguia manter um tom de voz tão honesto independente do desconforto físico que aumentava a cada piscar de olhos.

- Pequeno detalhe … - o vampiro murmurou inclinando o corpo para a mulher, manteve a boca semi-aberta como se fosse completar a sentença, mas não o fez. Crispou os lábios após um segundo e então sorriu. Não como os sorrisos tímidos anteriores: nesse ele expôs os caninos inegavelmente anormais. Passou os dedos no próprio rosto, delineando a linha de contorno de uma máscara dizendo – O acabamento nas bordas desta última é de sangue animal, senhorita Ortez, e em todas as outras máscaras a mistura do gesso tem outra composição.

Antes que Laura pudesse retrucar ele agarrou seu pulso com uma mão e seu queixo com a outra, inclinando-a em sua direção. Ela havia percebido a mudança de postura em seus braços, a ameaça do movimento, mas não fora rápida o suficiente para se afastar e agora o susto pela prisão repentina era óbvio em seu rosto delicado:

- Você sabe o que é, humana. Eu sei que sabe – Sussurrou, claramente se divertindo com os gemidos de dor que ela emitia, o relógio dourado cedia a pressão dos dedos do vampiro e cortava-lhe a carne. Laura sempre soube do risco de se conversar com um Vox Regius. Muitos da Instituição já lhe alertaram que eles podiam mover objetos com a mente e, o pior, poderiam ler seus pensamentos. A dor que ela sentia nas têmporas parecia lhe gritar que essa última possibilidade era real e tentou não pensar em nada enquanto ele a encarava bem próximo, mas já era tarde. - Você sabe que é sangue humano.

A mulher ouviu o relógio se estilhaçar antes de seu corpo ser jogado no outro extremo do escritório. Olhou para o lado, confusa e ao mesmo tempo fascinada com a precisão do vampiro: por alguns centímetros ela não caíra na estante repleta de livros e objetos o que geraria um barulho muito mais estrondoso do o som oco de seu choque com a parede. Ele se aproximou mais rápido do que seus olhos puderam acompanhar e a ergueu pelos ombros. Laura não ousaria gritar, mesmo que houvesse mais alguém no escritório ninguém conseguiria impedi-lo, porém, precavido, ele tampou sua boca:

- Você sabe da natureza de quem criou essas máscaras, sabe quem as compraria e ainda assim se arrisca a modificá-las? Para quê? - o vampiro não esperava uma resposta audível, óbvio, e a mulher nem ao menos tentou fazê-lo. Gemia involuntariamente com a enxaqueca e a falta de ar provocada pela pressão no pescoço que ele apertava levemente. Não queria pensar na hora. Não devia, ele saberia caso ela pensasse! Precisava ignorar sua esperança, deixar somente o pessimismo gritar em sua mente, entretanto era impossível manter a mente sã com as agulhadas de dor em seu cérebro. Wilkins fitou intensamente seus olhos lacrimejantes por alguns segundos e, então, com um rosto soturno, murmurou - Inquisição? Você é uma inquisidora?

Laura sentiu o coração acelerar, pronta para que seu pescoço fosse esmagado pelo ódio da criatura vil e fechou os olhos determinada a não demonstrar seu desespero. Rezava, tranquilizando-se que, se Deus quisesse que ela morresse agora, lutando pela causa, assim seria. Pelo menos havia matado muitos desses demônios, era uma boa cristã e um bom cristão não teme seu pós morte. Foi um pouco antes do “amém” que ele a soltou abruptamente. A inquisidora caiu de joelhos no chão e abriu os olhos a tempo suficiente de ver um vulto avermelhado puxando o vampiro para longe:

- Graças a Deus... - sussurrou ainda de joelhos no carpete. Acompanhava as formas difusas tentando se concentrar e entender os movimentos rápidos demais para os seus olhos humanos. Passou a mão no coque bagunçado, colocando atrás da orelha as mechas loiras que se soltaram. Sua visão era limitada, mas ouvia nitidamente o som fino de lâminas diferindo golpes, um som distinto lembrou-lhe do rasgar de pele e músculos e pôde, então, ver a forma das duas criaturas.

Eles caíram justamente sobre a mesa de reunião. O vampiro se contorcia tentando se livrar da pequena criatura ruiva que pulara em suas costas e envolvia seus ombros com a perna. A mulher reparou nos ferimentos no peito de Wilkins, sua camisa branca e terno estavam ensanguentados dos cortes precisos que Alioth desferira. Ágil, o elfo puxou os cabelos do imortal, expondo seu pescoço para as lâminas afiadas. Laura virou o rosto, enojada, ao ver os fios avermelhados se rompendo. O desconforto cresceu quando ouviu a cabeça rolar e levou a mão a boca certa de que vomitaria, não suportava aquele cheiro de sangue que envolvia o escritório. Ele quase a matara e ainda assim ela se sentia desconfortável com a situação. Não havia vida, apenas morte naqueles corpos, decepá-los era apenas a continuidade do plano divino, se convenceu abrindo os olhos e encarando os olhos semicerrados do vampiro. A alma não deve permanecer no corpo após a morte física e é isso. Estava liberando-os para que fossem julgados por uma força superior, certo? Libertação, não assassinato, sussurrou, pálida, observando o rastro de sangue deixado pela cabeça. A voz de Alioth dissipou seus pensamentos:

- Pensei que era às 20h. Me enganei?

Ela se limitou a negar com a cabeça, ainda estava atordoada, contudo seu olhar brando demonstrou que estava agradecida. A criatura ruiva não esboçava raiva, muito menos desdém pela recente vitória. Encarou-a indiferente por alguns segundos, talvez aguardando uma ordem ou uma represália. Alioth fora pontual, ela tinha certeza, o elfo nunca a desapontara anteriormente. Precisava dizer a ele de quem fora a culpa por esse estardalhaço todo? Sim, precisava:

- Ele apareceu mais cedo... - as estranhas pupilas estreitas pareciam julgá-la, e ela arqueou os ombros e se levantou – Eu achava que conseguiria entretê-lo antes de você chegar. Claramente, falhei, não é?

Desta vez, o elfo quem deu de ombros. A postura distante não incomodava Laura, muito pelo contrário, essa natureza etérea a encantava, eram criaturas muito mais racionais do que os humanos. Observou-o arrastar o corpo para perto da janela e, só então, reparou no rastro de sangue que manchava a tapeçaria turca. O bordado estava arruinado para sempre, sabia que aquela mancha não sairia e fez uma careta a qual não durou mais que alguns segundos. Um tapete com sangue vampírico seria uma boa moeda de barganha para os pesquisadores inquisidores ou ... “Ah, os magos pagariam bem caro por isso”. Sorriu:

- Alioth, quando eu for te pagar, me lembre que te darei um bônus, está bem?




Mais sobre Alioth você pode conferir no conto Justiça Carmin e em alguns capítulos de Malleus Malleficarum.

Esse é o primeiro conto da Laura, mas os Inquisidores aparecem também no conto Claire de Lune.

Espero que tenham gostado. Fiquem atentos que no mês de dezembro não apenas começará uma nova Crônica como também faremos diversos sorteios!

7 comentários:

Lucas T. Costa disse...

Ali e Laura juntos ownam! Adorei o conto, como te disse... Laura me lembra muuuuito a thea Gill hahaha

Helu disse...

Quero mais histórias com o Ali (e com a Laura rsrs), use-a u.u/

Thiago disse...

Hahaha! Então o Fulano virou Mathias Herbertsson...

Como já havia te dito, eu gostei meeeesmo desse conto! Laura comanda u.u faça LOGO mais contos com a Laura e Alioth.. gogogo! Não parem!!

Helu disse...

Hahahahaha, esses revisores que ficam contando os bastidores tsc tsc, sim o fulano virou Mathias Herbertsson guarde esse nome .dica.

Thays C. Rodrigues disse...

So fucking good!

Luana Góes Spíndola disse...

Nossa... senti a indiferença do Alioth na pele. Excitante. Tempting, tempting. Gostei da Laura, uma cristã num mundo de seres extraordinários. Mas ainda acho que ela vai estourar, uma hora. Essa aparente "polidez, educação" dela é só para maquiar uma falta de paciência com as pessoas, hein! hehehe!! *PS: bem que vc poderia desenhar os personagens. :-D

Adnilson Vaz disse...

Gostei muito da Laura, não teve como não me lembrar de uma outra personagem, que também é loirinha e tem muito potencial (sem spoilers rsrsrsrs), quero saber mais sobre sua origem, como ela foi recrutada, como chegou ao status que tem hoje na "instituição"... enfim! Excelente!